Desconexão compulsória


Capa da revista digital offline The Disconnect 2

Ah .... o wi-fi! Lembro como se fosse ontem do meu deslumbramento ao descobrir essa tecnologia que, como num passe de mágica, fazia sumir aquela maçaroca de fios e cabos necessários para usar a internet. Uma maravilha!


Já sabendo que novidades tecnológicas costumam ser caras, imaginei tratar-se de um recurso ao alcance apenas de grandes empresas, mas foi uma grata surpresa constatar que instalar um sistema de wi-fi era simples e economicamente viável para a maioria das pessoas.


Foi tudo muito rápido: restaurantes e bares começaram a exibir a plaquinha ‘aqui tem wi-fi’ e a pergunta ‘você pode me dizer a senha do wi-fi? ’ passou a vir antes da tradicional ´você pode me trazer o cardápio?’. É muito provável que você alguma vez já tenha esboçado um sorriso de aprovação ao ler a frase ‘lar é onde o wi-fi conecta automaticamente’, uma síntese perfeita sobre o quanto essa facilidade nos traz de conforto pessoal.


De fato, a novidade se espalhou por todos os espaços e trouxe ganhos imensos, como acabar com o stress diante dos fatídicos atrasos nas consultas médicas ou a possibilidade de resolver urgências pessoais e profissionais em qualquer lugar, tudo sem gastar seu plano dados.


No ano passado fui surpreendida pelo lançamento da revista digital americana ‘The Disconnnect’ (Desconectada, em tradução livre), publicação que existe apenas na internet, mas que só pode ser lida ao desativar o wi-fi e ativar o modo avião. Após desconectar-se, você é informado que passa a ter acesso a todos os artigos, histórias e poemas da revista, mas não ao resto da internet. Hum .... meio esquisito isso!


O engenheiro de software Chris Bolin, fundador dessa revista offline, explica que a proposta é criar uma espécie de oásis para que o leitor fique longe de distrações e do bombardeio de anúncios que nos afastam do objetivo que tínhamos em mente ao iniciarmos uma leitura na internet. Para ele, é preciso considerar a natural curiosidade humana que nos faz clicar num link após outro, sem pensar na sua relevância ou propósito, além da dificuldade que a maioria de nós temos de manter a atenção focada. Até agora foram publicadas duas edições (em inglês) da revista: a primeira traz como tema principal ‘humanos e tecnologia’ e a segunda fala sobre ‘pegadas digitais’.


Parece que tem muita gente querendo fazer algo parecido com a intenção de valorizar nossas conexões humanas. É muito provável que você já tenha se deparado com um pequeno quadro em ambientes públicos e privados que nos informa que ‘aqui não temos wi-fi; conversem entre si’.


Acho que é só para nos lembrar que existe vida offline.

Links:

The Disconnect, edição 1: https://thedisconnect.co/one/

The Disconnect, edição 2: https://thedisconnect.co/two/

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